Capa: foto real da equipe Arkmeds na participação no congresso de 2025, do acervo publicado à época.
Uma ideia de congresso ganha valor quando vira uma mudança que a equipe consegue avaliar. Depois do II Congresso Brasileiro Einstein de Engenharia Clínica, a pergunta prática é como transformar rastreabilidade, indicadores e integração entre áreas em uma rotina melhor. O caminho começa por um problema definido, um registro confiável da situação atual e um piloto com responsáveis e critérios de decisão.
O que a equipe Arkmeds levou do congresso?
Cinco representantes da Arkmeds participaram da experiência de 2025, reunindo Produto, Consultoria, Hardware e Sucesso do Cliente. No relato publicado à época, Livia Oliveira, Fabiana Oliveira, Eugenia Vettori, Rosane Araujo e Kivio Antunes destacaram aprendizagem, avaliação de tecnologias, integração de processos e observação da rotina hospitalar.
A divulgação da Anahp anunciou o congresso para 16 a 18 de outubro de 2025, com segurança do paciente, sustentabilidade, inteligência artificial e transformação digital na pauta. O relato da Arkmeds registra uma experiência de 15 a 18 de outubro, incluindo pré-cursos e visita técnica. Os registros usam períodos diferentes; mantemos essa distinção.

O interesse de Livia por levar conhecimento à área de produto, a atenção de Fabiana à inteligência artificial, o olhar de Eugenia para avaliação e custos, a percepção de Rosane sobre processos integrados e a observação técnica de Kivio convergem para uma questão: qual etapa do trabalho precisa mudar? Antes de escolher uma tecnologia, vale formular essa pergunta com quem solicita, executa e recebe o serviço.
Como transformar uma visita técnica em uma melhoria?
Uma visita permite observar organização, interfaces e responsabilidades. Ela não revela, sozinha, o histórico de falhas, o custo de manutenção ou as condições que permitiram a outro hospital alcançar um resultado. Copiar uma estrutura sem entender seu processo pode apenas transferir complexidade.
No relato de 2025, a equipe descreveu pré-cursos de RFID, tecnologias do Centro Cirúrgico e CME e modalidades de imagem, além de discussões sobre manutenção baseada em risco, indicadores e integração assistencial. Esses temas podem ser traduzidos em perguntas de trabalho, ligadas ao processo que a equipe quer melhorar.
- 1 · Definir o problemaDescrever o processo, as pessoas envolvidas e o registro da situação atual.
- 2 · Delimitar o pilotoEscolher um setor, responsáveis, período e forma de registrar exceções.
- 3 · Comparar o trabalhoConferir resultado, tarefas transferidas e esforço de manter a mudança.
- 4 · Decidir e documentarAmpliar, ajustar ou interromper segundo critérios definidos para o serviço.
A orientação da OMS para implantação de sistemas de inventário e manutenção, publicada em 2025, recomenda objetivos e escopo claros, equipe de implantação, avaliação de necessidades e treinamento. Também destaca a entrada consistente e atualizada de dados. A ferramenta precisa caber na infraestrutura e no trabalho das pessoas; uma migração de software não corrige automaticamente um cadastro inconsistente.
O que um estudo de RFID realmente permite concluir?
León-Araujo e colegas avaliaram um armário RFID para insumos de alto custo, em três salas de cirurgia cardiotorácica de um hospital espanhol. A tabela 3 compara tempos médios mensais antes e depois; a avaliação posterior abrangeu julho a dezembro de 2015. O recebimento passou da supervisão para a logística. A comparação não randomizada, com financiamento da Grifols, não prova redução de falhas clínicas nem mede equipamentos da Arkmeds.

| Atividade, reagrupamento da tabela 3 | Antes, min/mês | Depois, min/mês |
|---|---|---|
| Solicitações de produtos do armário | 400 | 0, automatizadas |
| Recebimento | 300, supervisão | 133, logística |
| Demais atividades somadas | 295 | 295 |
| Total | 995 | 428 |
Há uma diferença a explicitar: o texto do estudo informa 58%, enquanto os totais da tabela dão (995 − 428) ÷ 995 ≈ 57%, cálculo próprio. As responsabilidades também mudaram. Por isso, a decisão útil é medir o fluxo completo: onde uma tarefa desapareceu, onde ficou e quem passou a executá-la.
Identificar, localizar e disponibilizar são a mesma coisa?
Encontrar um dispositivo não significa que ele esteja pronto para uso. Um código que abre o histórico pode resolver a identificação sem oferecer localização automática. Uma posição no mapa, por sua vez, não confirma que limpeza, manutenção e liberação estejam concluídas.
| Pergunta da equipe | Informação necessária | Verificação prática |
|---|---|---|
| Qual dispositivo é este? | Identificador ligado ao cadastro correto | Conferir se etiqueta e registro representam a mesma unidade |
| Onde ele está? | Localização com referência de atualização | Comparar a posição informada com a localização física |
| Posso reservá-lo? | Situação de uso, reserva e disponibilidade | Conferir se outro setor já depende dele |
| Está apto ao uso previsto? | Condição técnica e liberações aplicáveis | Consultar registros e seguir os processos de liberação da instituição |
O relato operacional do NHS England sobre Mid Cheshire oferece uma lição concreta: plantas e posições de pontos de acesso desatualizadas fizeram algumas buscas indicar o setor errado. A equipe precisou corrigir os mapas. O caso também enfatiza cobertura de rede, treinamento e um fluxo viável de retorno dos dispositivos à base, incluindo recolhimento por equipes técnicas.
Esse é um relato de implantação, não um ensaio controlado. O detalhe mais transferível é a dependência entre informação e processo. Para um piloto local, não basta contar etiquetas instaladas: é preciso testar se a localização corresponde ao objeto, se o retorno acontece e se o registro de condição acompanha a movimentação.
Que piloto faz sentido começar depois do evento?
Escolha um problema que possa ser acompanhado sem redesenhar o hospital inteiro. Por exemplo, dificuldade para encontrar um conjunto definido de dispositivos antes da manutenção programada. A escolha é ilustrativa; o escopo e os critérios devem refletir a necessidade real e a capacidade da instituição.
O ponto de partida pode ser registrar cada busca, do pedido ao encontro do dispositivo ou ao encerramento sem localização. Defina o período observado, quais unidades entram na análise e quem registra os eventos. Sem esses limites, “tempo de procura” pode misturar busca física, espera pela equipe e dispositivo indisponível por outro motivo.
| Campo do piloto | O que registrar antes de começar |
|---|---|
| Problema e escopo | Setor, dispositivos e situação que motivou o teste |
| Linha de base | Período, buscas observadas, tempos e casos sem localização |
| Mudança proposta | Etapa alterada, ferramenta usada e tarefas que continuam manuais |
| Responsáveis | Quem atualiza cadastro, recolhe dispositivos e revisa pendências |
| Medidas | Tempo por busca; buscas sem localização / buscas observadas; carga de trabalho por equipe |
| Condições de uso | Cobertura, atualização de mapas, treinamento e plano quando o sistema falhar |
| Decisão | Data de revisão e critérios locais para ampliar, ajustar ou interromper |
Compare períodos e situações equivalentes. Se o segundo período tiver menos buscas ou dispositivos mais próximos, uma média menor pode refletir a composição dos casos. Registre também exceções e tarefas transferidas. Uma melhora aparente para uma equipe pode aumentar a carga de outra, como a mudança de responsabilidade observada na tabela de RFID.
Como definir sucesso sem inventar uma meta universal?
A meta depende do problema. Em uma iniciativa de localização, o resultado pode envolver menos buscas encerradas sem encontrar o dispositivo, com carga de trabalho aceitável. Em uma melhoria de documentação, pode ser maior completude dos registros. As duas iniciativas não precisam usar a mesma medida.
Para relatar proporções, mantenha numerador e denominador juntos. Um indicador proposto é buscas sem localização ÷ total de buscas observadas, no mesmo período e escopo. Ele mede eventos de busca, não o percentual de equipamentos perdidos. Um dispositivo pode gerar várias buscas.
Onde o CMMS ajuda a manter o aprendizado?
Depois de escolher o problema, a equipe precisa de um histórico que permita acompanhar o que foi feito e por quê. Se uma etiqueta leva a um cadastro antigo ou uma OS não registra sua pendência, fica difícil relacionar a melhoria ao trabalho executado.
O CMMS Arkmeds oferece planejamento de manutenção e calibração, ordens de serviço, relatórios e consulta do histórico do ativo pela web ou por QR Code, segundo a página oficial do produto. Esses recursos ajudam a organizar os registros e o acompanhamento. Acesso ao histórico por QR Code e localização automática são funções diferentes; uma implantação de RFID ou RTLS exige validar tecnologia, integração e escopo específicos.
Conheça o CMMS Arkmeds e avalie como organizar cadastro, manutenção, ordens de serviço e histórico no fluxo da sua equipe.
Conhecer o CMMS Arkmeds →A manutenção baseada em risco permite abandonar o calendário?
Uma discussão sobre risco não autoriza, por si só, mudar os intervalos de um dispositivo. Criticidade, histórico, recomendações do fabricante e requisitos aplicáveis precisam entrar em uma avaliação documentada. É diferente priorizar o atendimento de uma falha e revisar a periodicidade de uma atividade preventiva.
Na orientação da OMS de 2025, o risco envolve importância clínica, probabilidade de falha e consequências. Para aprofundar a decisão sobre indicadores e exposição, veja o artigo sobre MTTR, MTBF e backlog. O aprendizado do congresso pode motivar uma revisão; a justificativa técnica precisa nascer das condições do serviço e do dispositivo.
O que vale guardar para a próxima reunião?
A tabela do piloto funciona como uma pauta adaptável. Comece pela pergunta “qual problema observamos e como vamos saber se melhorou?”. Depois, confirme responsáveis, registro de exceções e trabalho necessário para manter a mudança. Assim, a ideia pode ser discutida com Produto, Engenharia Clínica, Assistência, TI e Suprimentos na mesma linguagem.
Fontes e leituras
- Anahp — divulgação institucional do II Congresso Einstein (2025)
- León-Araujo et al. — RFID e insumos de alto custo (2019)
- Correção editorial — licença CC BY 4.0 do estudo RFID (2019)
- NHS England Digital — implantação de RTLS em Mid Cheshire
- OMS — sistemas de inventário e manutenção de dispositivos médicos (2025)
- Arkmeds — recursos do CMMS
Pesquisa e revisão: 6 de outubro de 2026. Relato originalmente publicado em 24 de outubro de 2025; experiências da equipe preservadas por atribuição, sem novos depoimentos. Fotos reais do acervo Arkmeds. Gráfico próprio com dados publicados; roteiro de piloto editorial. Os casos de RFID e RTLS citados não avaliaram produtos Arkmeds.


